Fui lá e fiz

Sempre gostei de bicicleta mas nunca fui ciclista. Como boa carioca, usava a bicicleta pra ir a praia curtindo a linda paisagem que o Rio nos proporciona. Morando no Canada há alguns anos, ficando mais da metade do ano em temperaturas negativas também nao ajudou a desenvolver um interesse maior em pedalar. Alguns meses atrás, eu estava procurando um desafio novo para fazer e acabei embarcando na viagem que meu marido e uns amigos ciclistas estavam organizando. Minha bicicleta não era apropriada pra essa “aventura”. Sim, para mim essa viagem era completamente uma mega-ultra-super aventura e eu estava me sentindo uma total desbravadora, porque tudo era muito novo pra mim. Mas com a minha humilde bicicleta, comprada numa venda de garagem por 30 dólares há 10 anos atrás, eu decidi cair na estrada pra pedalar.

O período de planejamento coincidia com o inverno canadense, o que não favorecia treinamentos ciclísticos ao ar livre. Mesmo não estando muito em forma, continuei decidida à embarcar na viagem, e ia me exercitando do jeito que dava. É importante dizer que eu também não estava querendo investir muita grana em acessórios e equipamentos, afinal não sabia se ia gostar de fazer cicloturismo. Desde o inicio fui movida por algo me dizendo pra montar na bicicleta e sair por ai. Ai ficou claro que eu queria fazer essa viagem e queria fazer com a ideia de que não precisamos de uma super bicicleta, não precisamos de super equipamentos e não precisamos ser triatletas. Só precisamos de 1 coisa: querer subir na bicicleta. É claro que estar preparado fisicamente e ter uma boa bicicleta com bons equipamentos é maravilhoso e proporciona uma pedalada melhor. Mas o que eu quero muito compartilhar aqui é que pra começar só precisa de vontade mesmo. O resto vai se ajeitando com o tempo e com cada quilómetro pedalado.

A experiência foi incrível e muito transformadora. Os encontros pela estrada, a solidariedade entre os ciclistas, as acolhidas que recebemos, as pessoas com histórias tão tocantes que conhecemos em vilarejos tão pequenos vão ficando na bagagem da vida. Por outro lado, vamos tirando da bagagem tudo aquilo que não serve e deixa a pedalada desnecessariamente mais pesada. Eu acho que metáfora melhor pra vida não há. Vai là e faz também!!! Afinal “Ride as much or as little, or as long or as short as you feel. But ride”. (Eddy Merckx).

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